Banco de Jardim

E sentaram-se no banco do jardim cada um numa ponta separados pelo amor que já não sentiam.

Olhavam para o céu estrelado e para as árvores que dançavam com o vento uma valsa suave e ritmada. Porque era doloroso demais olharem um para o outro, já.

Mas pensavam um no outro em silêncio.

Ela lembrava a sensação que o toque dele despertava no corpo dela.

Ele recordava as vezes sem conta que ria dela, com ela e para ela.

Ambos pensavam ao mesmo tempo no primeiro dia, na primeira semana, no primeiro mês em que se conheceram. Recordavam a droga da paixão que tinham injectado um no outro e que os fizera ficar dependentes. De como cada olhar, cada toque, cada palavra que fosse os levava para o outro lado do luar.
O silêncio continuava, a distância também.

Separados por sentimentos obscuros e confusos demais para serem verbalizados. Pela carruagem que não apanharam de mãos dadas, na ânsia de novas aventuras e experiências.

A luz do luar iluminava os seus rostos e deixava a descoberto as suas expressões de amor dorido e de desilusão. Penetrava nas suas almas e puxava os seus sentimentos mais sombrios para dançarem com as árvores e o vento.

Já nada fazia sentido. Menos o carinho que permanecia nos seus corações.

Levantaram-se. De mãos dadas percorreram em silêncio o caminho coberto de folhas que levava a uma escolha.

No fim desse caminho fixaram os olhos no olhar do outro. Viram o brilho das estrelas a morrer lentamente nesse olhar.

Ele passou-lhe a mão suavemente no seu rosto, e ela tocou ao de leve nessa mão. Ficaram assim por um breve instante.

Por fim, disseram um trémulo adeus, sumido no som das folhas que bailavam em seu redor. Afogado pelas lágrimas transparentes que lhes corriam pela face.

E cada um seguiu o seu caminho solitário, levando pedaços do outro em si nas páginas do coração.

publicado por lilith às 12:30 | link do post | o que te faz sentir? | partilhar