"O Dardo de Kushiel" de Jacqueline Carey

Acima de tudo, uma leitura muito difícil. Muito difícil mesmo! 
Se agora, que o acabei de ler, fiquei completamente viciada no livro, ao início tenho que admitir que não foram poucas as vezes que assumi desistir de o ler e odiá-lo para sempre.
Mas há uma explicação...
Esta história é complexa, demasiado complexa até. Bem arquitectada, não hajam dúvidas, muito elaborada, num espaço inventado minuciosamente e com história própria e referências a entidades tão bem nossas conhecidas, mas transformadas de uma forma genial em algo muito carnal e concreto. Mas complexa. Esta é realmente a palavra que me acompanhou o pensamento ao longo de toda a leitura.
Assim como a própria narradora e personagem principal. 
O que me pareceu, de facto, é que a própria história evolui ao mesmo passo que a personagem o faz, assim como vão sendo revelados cada vez mais detalhes e pormenores que enquadram a narrativa e delineiam o desenrolar da acção. 
A forma de escrita e narração, se ao princípio não me agradou nem um pouco, é algo que se entranha na nossa pele, cabeça e coração aos poucos, dando-me até a sensação que por vezes acabo a falar e mesmo a escrever da mesma forma. É uma escrita senhorial, cheia de artefactos e floreados, utilizada nas épocas medievais de reis e rainhas e cortes senhoriais. Mas tem todo o sentido que assim seja, já que a história é passada em tempos como tais. Uma escrita elaborada pela qual nos vamos apaixonando, mas que apenas me envolveu verdadeiramente a meio do livro.
Os personagens, esses, são fantásticos. Cuidadosamente pensados e caracterizados. Em que sentimos o pulsar das suas personalidades a cada movimento deles. Misteriosos. Causam-nos ao mesmo tempo repugna, deslumbramento, suspense e amor por elas. 
Não esperava o forte conteúdo sexual que este livro encerra, mas nunca de uma forma crua, e sim apaziguada pela forma de escrever. Confesso que por vezes senti algum excitamento com algumas cenas descritas.
A autora é uma arquitecta fantástica da escrita e do mundo em nos faz submergir. 
Este livro despertou em mim um sentimento ambivalente, e foi o primeiro a consegui-lo. Ao mesmo tempo gostei e não gostei, não consigo explicar melhor. 
Mas estou desejosa para ler o segundo volume...
tags:
publicado por lilith às 20:10 | link do post | o que te faz sentir? | partilhar